Biografia

Biografia

"Deus quer, o Homem sonha e a Obra nasce"

Alfredo Vicente tinha o sonho de ser cavaleiro tauromáquico. Tentou a sua sorte como amador, mas quis o destino que a concretização desse sonho viesse a tomar forma pelas mãos do seu descendente.

Luís Armando Ferreira Vicente nasceu a 8 de Agosto de 1968, no Montijo, e desde muito cedo revelou uma paixão pelos cavalos e pelos toiros. Acompanhava o pai nas cortesias das diversas garraiadas em que participava e, pouco a pouco, foi crescendo nele a vontade de seguir aquele caminho.

O sonho cedo se transformou em determinação.

Com apenas 9 anos, apresentou-se numa garraiada em Paio Pires. Era o mais novo do cartel, mas a idade não o impediu de se impor: conquistou o prémio destinado à melhor actuação, tendo como troféu uma sela de toureio.

Começava assim, ainda criança, a carreira de um vencedor.

Pouco depois, voltou a dar nas vistas numa Garraiada do Liceu Gil Vicente, realizada na Praça de Toiros do Campo Pequeno. Foi ali que revelou, de forma particularmente evidente, a fibra e a raça que haveriam de marcar a sua trajectória.

Em vez de um garraio, coube-lhe enfrentar um novilho com 410 kg.

Perante o desafio, o pequeno Luís não recuou. Pelo contrário, deixou uma frase que, tantos anos depois, parece antecipar o caminho que viria a percorrer:

"Tenho uma coisa dentro de mim que me leva a tourear e não tenho medo..."

Era ainda uma criança. Mas já estava dentro dele aquilo que haveria de definir uma vida inteira: a vontade de tourear.

Do avô paterno herdou o nome artístico "Rouxinol" e foi assim que começou a surgir nos cartazes das várias garraiadas e variedades taurinas em que participou. O nome vinha muitas vezes acompanhado de expressões como "um caso sério" ou "um fenómeno", tal a importância e o impacto das suas actuações, apesar da sua ainda curta idade.

Mas o caminho até à alternativa não seria fácil.

Sem antecedentes familiares no meio tauromáquico, sem poder social ou económico que lhe abrisse portas, Luís Rouxinol viu-se obrigado a procurar no país vizinho as oportunidades que, em Portugal, teimavam em não surgir.

Durante três anos, acompanhado pelo pai, Sr. Alfredo, atravessou a fronteira em busca de oportunidades e de um espaço onde pudesse mostrar o seu valor. Foi em Espanha que encontrou algumas das portas que em Portugal permaneciam fechadas.

Até que chegou o momento de dar mais um passo.

A 24 de Maio de 1986, na Moita do Ribatejo, prestou a sua prova de praticante.

Mas, apesar dos muitos triunfos que já coleccionava nas arenas, a resistência à afirmação de Luís Rouxinol não desapareceu.

O caminho estava longe de estar ganho. Mas Luís Rouxinol também estava longe de desistir.

De seda azul e ouro, apresentou-se a 10 de Junho de 1987, na Monumental "Celestino Graça" em Santarém.  O dia mais desejado, mais sonhado, chegou de luxo! E mais uma vez, Luís Rouxinol triunfou! Tinha ainda 18 anos. Teve por padrinho o mestre João Moura e de testemunhas, Joaquim Bastinhas e Rui Salvador, lidando-se nessa tarde toiros da ganadaria João Moura (pai) e nas pegas, os Amadores de Montemor e Vila Franca.

E naquela que foi uma tarde de grande responsabilidade, Luís Rouxinol deixou em clima de apoteose as mais de 13 mil pessoas que esgotaram a Monumental Praça de Santarém. 

A corrida levava o nome do programa da Rádio Renascença "O Despertar", e o jovem Rouxinol sagrou-se seu triunfador conquistando o prémio em disputa, "Maçaroca de Ouro".

Três anos depois da alternativa surge na vida de Luís Rouxinol aquele que viria a ser o seu companheiro durante mais de duas décadas, um orientador, um agente, um amigo, um segundo pai, o Sr. Mário Freire.

Mário Freire colocou Luís Rouxinol em todas as praças, em todas as feiras e em todas as corridas. Fez dele um triunfador, aliando quantidade a qualidade. Mantiveram uma relação profissional de 22 anos, de mútuo respeito, de amizade e que só terminou com o falecimento de Mário Freire, a 11 de Março de 2011.

O senhor que se seguiu, Francisco Penedo, foi quem desde essa altura levou por diante a carreira de Luís Rouxinol, com profissionalismo, dinamismo, seriedade e amizade sincera, atributos que lhe eram característicos e o distinguiam de entre os seus pares.

Foram sete temporadas de enormes êxitos, aventuras, triunfos e muita categoria, os que uniram Francisco e Luís numa relação profissional mas, acima de tudo, pessoal, como dois irmãos, só quebrada com o inesperado falecimento do apoderado em 2018. 

Quis o destino que à vida de Luís Rouxinol, chegasse em 2019 o Rui Bento Vasquez, antigo matador de toiros, empresário taurino, um profissional de mão cheia, como novo gestor da carreira do cavaleiro de Pegões. Uma relação que durou sete épocas.

No final da época de 2025, o empresário Rui Palma e os cavaleiros Luís Rouxinol e Rouxinol Jr., assumiram uma relação de apoderamento.

A Luís Rouxinol tem cabido a missão, ao longo destas quase quatro décadas como toureiro profissional, de manter elevado o nível do seu toureio, de entrega em praça, de triunfos constantes, de exigência, humildade, regularidade, muita dedicação e o estatuto de ser um dos maiores cavaleiros tauromáquicos de sempre da História da Tauromaquia em Portugal. 

Uma verdadeira Figura do Toureio, um lidador nato que subiu a pulso por mérito próprio, sendo incontáveis os troféus que conquistou ao longo destes anos. Tem alternado com todos os colegas, dos mais populares aos que se iniciam nestas lides. Precede-o a fama de não se negar aos toiros, pois independentemente da ganadaria ou encaste, para todos tem lide.

Luís Rouxinol é para todos um exemplo de quem é vencedor nas arenas e na vida! 

O Homem sonhou, a obra nasceu, Deus quis e continua a querer, pois a obra terá continuidade nos sonhos e  vontade de Luís Rouxinol Jr. ou... até que o Simão se lembre de sonho igual!